Moderados criam versão light da TFP

 

Entidade enfrenta disputas internas que envolvem ações judiciais, denúncias de corrupção e até ameaças de morte

 

 Roberto Barbosa

ivulgação

  Os Arautos do Evangelho seguem a orientação de João Clá Dias, contrária à linha adotada por Plínio Corrêa de Oliveira

CAMPOS, RJ - Disputas internas e uma enxurrada de processos judiciais são apenas alguns capítulos de uma guerra pelo controle da Sociedade em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), entidade ultraconservadora criada pelo professor Plínio Corrêa de Oliveira, na década de 60.

Nascida no seio do movimento mariano, em São Paulo, a entidade está abalada por denúncias e até ameaças de morte e manobras que teriam provocado prejuízos de mais de R$ 6 milhões nas contas internas.

- Os ex-diretores falam como se estivessem expulsos da TFP. Eles ainda fazem parte e podem participar das assembléias

O embate entre entidades católicas poderia inspirar um livro sobre uma guerra santa, mas as denúncias que envolvem a disputa pelo controle da TFP mais se assemelham ao filme O poderoso chefão, de Francis Ford Copolla. São centenas de processos na Justiça do Trabalho, intermináveis contendas na Vara Cível, denúncias na Vara Criminal de São Paulo, investigação de apropriação indébita, falso testemunho e ocupação de sedes por policiais armados.

Esta pendenga judicial e policial consta de um dossiê, enviado ao Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, e ao Vaticano, tendo o JB a ele acesso. O documento é assinado pelo ex-superintendente da Diretoria Administrativa e Financeira Nacional da TFP, Plínio Xavier da Silveira, destituído pela medida judicial movida pela nova diretoria.

O principal alvo é o líder do grupo pró-TFP liberal, João Clá Dias, também presidente da Associação Internacional Arautos do Evangelho. Num dos trechos do dossiê, Xavier da Silveira transcreve partes de uma gravação de onze minutos, de 1996. Mostra trechos em que o presidente dos Arautos do Evangelho ameaça dirigentes da TFP nos EUA, por terem proibido meninos de tomarem atitudes de veneração a João Clá Dias.

Na fita - diz o dossiê - ele prometia virar a mesa e pôr fogo na casa, se os membros daquela TFP continuassem a criticar seus métodos de apostolado.

Em outra transcrição, de outubro de 1996, quando começava a disputa pelo controle da TFP, o dossiê destaca outra ameaça de João Clá, desta vez contra o diretor do escritório da entidade em Washington, o advogado Mário Navarro da Costa.

- Tenho o plano na cabeça: pego um avião, lhe deixo uma bala no peito, e irei para a cadeia. Pelo menos, faço reunião para os presos - transcreve o dossiê.

O relações-públicas da nova diretoria da TFP, André Dantas, e o dirigente Roberto Kasuo afirmaram que desconhecem o episódio e a fita.

- Eles se dizem perseguidos por nós, pelos sem-terra, pelo Judiciário, pela CNBB e por todo mundo - justifica.

O embate entre entidades católicas poderia inspirar um livro sobre uma guerra santa, mas as denúncias que envolvem a disputa pelo controle da TFP mais se assemelham ao filme O poderoso chefão, de Francis Ford Copolla. São centenas de processos na Justiça do Trabalho, intermináveis contendas na Vara Cível, denúncias na Vara Criminal de São Paulo, investigação de apropriação indébita, falso testemunho e ocupação de sedes por policiais armados.

Esta pendenga judicial e policial consta de um dossiê, enviado ao Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, e ao Vaticano, tendo o JB a ele acesso. O documento é assinado pelo ex-superintendente da Diretoria Administrativa e Financeira Nacional da TFP, Plínio Xavier da Silveira, destituído pela medida judicial movida pela nova diretoria.

O principal alvo é o líder do grupo pró-TFP liberal, João Clá Dias, também presidente da Associação Internacional Arautos do Evangelho. Num dos trechos do dossiê, Xavier da Silveira transcreve partes de uma gravação de onze minutos, de 1996. Mostra trechos em que o presidente dos Arautos do Evangelho ameaça dirigentes da TFP nos EUA, por terem proibido meninos de tomarem atitudes de veneração a João Clá Dias.

Na fita - diz o dossiê - ele prometia virar a mesa e pôr fogo na casa, se os membros daquela TFP continuassem a criticar seus métodos de apostolado.

Em outra transcrição, de outubro de 1996, quando começava a disputa pelo controle da TFP, o dossiê destaca outra ameaça de João Clá, desta vez contra o diretor do escritório da entidade em Washington, o advogado Mário Navarro da Costa.

- Tenho o plano na cabeça: pego um avião, lhe deixo uma bala no peito, e irei para a cadeia. Pelo menos, faço reunião para os presos - transcreve o dossiê.

O relações-públicas da nova diretoria da TFP, André Dantas, e o dirigente Roberto Kasuo afirmaram que desconhecem o episódio e a fita.

- Eles se dizem perseguidos por nós, pelos sem-terra, pelo Judiciário, pela CNBB e por todo mundo - justifica.

23/MAI/2004]

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